655 - URSS 1960


Num formato cuja fase de qualificação era feita por eliminatórias, a derradeira dessas rondas haveria de opor Espanha e União Soviética. Com a selecção Ibérica, por ordem do General Franco, impedida de viajar até Leste, a última das decisões acabaria a favor da equipa comunista.
É nestes moldes que a URSS ganha o direito a participar na primeira fase final do, à altura denominado, Taça das Nações Europeias. Em França, no final da Primavera de 1960, os soviéticos apresentam-se como um conjunto coeso. Composto ainda por alguns dos atletas que, quatro anos antes, haviam conquistado a Medalha de Ouro nos Jogos Olímpicos de Melbourne, o grupo era bastante respeitado.
Conhecida pelo aprumo táctico e por uma condição física, em todos os aspectos, rigorosa, a equipa da União Soviética contava com alguns dos grandes jogadores da altura. Nomes como os de Igor Netto, Slava Metreveli ou o do incontornável Lev Yashin, eram disso mesmo exemplo. Quem liderava o conjunto era o treinador Gavrill Kachalin. O técnico, reconhecido pelo estudo exaustivo dos adversários, orientava os seus pupilos num esquema de jogo que, sem dar grande espaço ao virtuosismo técnico, era assente na disciplina e entreajuda.
Num formato bem distante do que actualmente está em vigor, onde apenas 4 selecções disputavam a derradeira fase da prova, a União Soviética competiria numa das meias-finais frente à Checoslováquia. A partida, agendada para Marselha, terminaria com o “placard” do Estádio Vélodrome a assinalar um convincente 3-0.
Depois dos tentos de Valentin Ivanov (2) e de Viktor Ponedelnik, a equipa soviética tinha ainda mais um adversário a separá-la do almejado troféu. A Jugoslávia, que eliminara Portugal na derradeira etapa de qualificação, tinha também, para conseguir chegar ao decisivo momento, afastado a anfitriã França. Ora, no Parc des Princes quem entraria melhor seria a equipa dos Balcãs. Milan Galic inauguraria o marcador aos 43 minutos da primeira metade, para, logo no reatamento do jogo, Metreveli deixar tudo empatado. Sem que a igualdade se desfizesse, dar-se-ia início ao prolongamento. No tempo extra seria a altura para Ponedelnik brilhar. O avançado que, ao serviço do Rostov, apenas disputava a 2ª divisão do seu país, acabaria por concretizar um segundo golo – “Marquei muitos golos pelos clubes por onde passei e pela selecção, mas há jogos e golos realmente especiais, que assinalam os pontos mais altos das carreiras dos jogadores. Foi um momento marcante da minha vida”*.
Com esta vitória, seria de Igor Netto a honra de receber o troféu. Tanto o capitão soviético, como todos aqueles que participaram na aventura idealizada por Henri Delaunay, acabariam por ver os seus desígnios inscritos na história do desporto. Por força de tão distinta conquista, a URSS acabaria por merecer lugar de destaque. Verdade seja dita, com toda a justiça, ou não se tratasse da primeira selecção campeã europeia!!!

*retirado do artigo em www.uefa.com, a 29/02/2016

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