623 - MASOPUST

Seria com a camisola do FK Baník Most, colectividade da sua terra natal, que Masopust daria os primeiros passos de uma carreira memorável. Ainda adolescente, mudar-se-ia para o FK Teplice, mas, verdade seja dita, o novo emblema não tinha dimensão suficiente para a sua categoria. Ora, nesse sentido, seria curta a sua passagem pelo clube, tendo, em 1952, assinado por um dos grandes do futebol checoslovaco.
No Dukla de Praga o seu génio desenvolver-se-ia. Médio elegante, com uma capacidade técnica excepcional, Masopust rapidamente pegaria no meio campo da equipa. Talhando, com a sua visão de jogo, o caminho do sucesso, ajudaria a ganhar 4 Taças da Checoslováquia. Já o número de Campeonatos vencidos, durante os anos que vestiu a camisola do clube, subiria para o dobro.
É verdade que o Dukla, com o poderio mostrado durante os anos 50 e 60, representaria uma grande fatia no seu sucesso. Contudo, seria a equipa nacional que, como Pelé haveria de dizer, o ajudaria a chegar à condição de “um dos maiores ícones que o futebol conheceu”. Para tal, muito contribuiriam os torneios onde participaria. Ora, e se o Mundial de 1958, com a sua selecção a ser eliminada precocemente, nem contribuiria muito para esse estatuto, já o Euro que se seguiria e o Mundial de 1962, catapultariam Masupost para os anais do futebol.
É verdade que no Europeu de 1960, já a Checoslováquia havia chegado às meias-finais. Contudo, e porque a competição, nesse ano, conhecia apenas a sua primeira edição, a repercussão de tal brilharete seria relativa. Por essa razão, a sua chegada ao Chile, dois anos depois, não arrastaria grandes multidões. No entanto, com o avançar do torneio muito mudaria.
A maneira como pegava na bola, impressionava até os mais atentos. O modo como, singelamente, fintava um, dois ou três adversários, mostraria que, em todas as listas de craques, faltava o seu nome. Essa situação alterar-se-ia rapidamente. A chegada da Checoslováquia ao último jogo do Mundial, muito para isso contribuiria. Dessa derradeira partida, Masupost sairia derrotado. No entanto, o golo que marcou e que inauguraria o “placard”, muito mais do que afrontar as probabilidades do favorito Brasil, faria com que o atleta saísse do torneio como uma das figuras de proa.
Nesse mesmo ano de 1962, a “France Football” agraciaria o jogador com o “Ballon d’Or”. Não tendo conquistado nenhum título relevante, o galardão laureava sua a inteligência, habilidades e, porque não dizê-lo, a postura correcta como vivia o futebol. Daí em diante, Josef Masopust passou a ser um nome de elite; passou a figurar no rol mais importante dos futebolistas. A convocatória para a selecção do mundo, por altura da despedida de Stanley Matthews (1965), viria provar isso mesmo.
Numa altura em que os jogadores de Leste raramente eram vistos na metade ocidental da Europa, Masopust haveria de ser autorizado a mudar-se para a Bélgica. Na R. Crossing Molenbeek, já como treinador-jogador, faria a transição dos relvados para o banco de suplentes. Como técnico, apesar de não tão fulgurante, o antigo internacional haveria de conseguir os seus momentos altos. Muito para além do regresso ao Dukla de Praga ou a passagem pelo comando da selecção do seu país, o maior destaque da sua nova carreira consegui-lo-ia ao serviço do FC Zbrojovka Brno, quando em 1978 levaria o emblema ao título nacional checoslovaco.

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